Qual o destino das crianças após a morte?

Editora EME      sexta-feira, 13 de outubro de 2017

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Ninguém duvida que ver morrer um filho ou uma filha, ainda mais na infância ou na juventude, é um dos sofrimentos mais intensos que pode atingir uma pessoa, senão o mais intenso.

“Perdas são sempre perdas; perde-se pai e mãe, perde-se irmãos e irmãs, perde-se esposa ou esposo, com grande sofrimento no mais das vezes. Mas nenhuma perda pode equiparar-se à de um filho ou filha, sobretudo se no sol a pino da sua juventude. Eis porque o transtorno, a reviravolta, o desconsolo chegam a limites insuportáveis que nada no mundo alivia – a não ser a compaixão divina que tudo pode”, comenta Regis de Morais no livro Na maior das perdas – a divina consolação.

E é ele mesmo que esclarece: “aos que por compreensível sofrimento perguntaram por onde andava a consolação divina quando sua criança foi atingida (afinal, os filhos são sempre, para os pais, crianças)”, deve-se dizer “que o amor de Deus esteve com todos sempre: com a criatura jovem no duro momento de deixar, assustada, este mundo dos seus afetos; com seus pais e outros familiares, na não menos dura hora de serem visitados pela mais triste e longa das saudades”.

O espiritismo, ampliando o entendimento sobre o destino das almas após a morte, traz claramente a maior consolação que se pode ter para o enfrentamento de um drama como esses: a morte não existe e os laços sinceros permanecem sempre!

“Nossos entes queridos, ao se transportarem da dimensão física para a dimensão espiritual, deixam de ser visíveis aos nossos olhos que são materiais, aos nossos sentidos embrutecidos pela matéria, mas nem por isso desaparecem, somem ou evaporam-se’”, explica em sua obra Perda de pessoas amadas o autor Armando Falconi Filho.

Sobre a possibilidade de destruição dos laços familiares com a morte e a reencarnação, Allan Kardec recebeu a seguinte resposta, publicada em O livro dos espíritos: “uma vez que o parentesco é baseado em afeições anteriores, os laços que unem os membros de uma mesma família não são precários”.

Reforçando estas ideias, Ricardo Orestes Forni analisa, no prefácio de seu livro, Mãe, estou aqui, que “o amor se encarrega de manter aqueles que se amam verdadeiramente em sintonia, após o retorno do espírito ao seu verdadeiro lar. Separam-se os corpos transitórios, mas não o amor imortal. Elimina-se a visão do elemento físico, mas não as vibrações poderosas e invencíveis do amor que nos faz senhores da vida. O reencontro está sempre marcado nas idas e vindas da vida, que não padece fim. Mergulhados no corpo ou fora dele, somos botões da vida que desabrocharão na sua flor – a imortalidade”.

O romance de Ricardo retrata exatamente o drama de uma mãe que perde seu filho de apenas dez anos de idade. Lúcia, a mãe, revolta-se com o acontecido e, inicialmente, não aceita o apoio espírita. A revolta que muitas vezes atinge pais, familiares e amigos leva-os a considerar as leis de Deus injustas, por sacrificarem alguém que poderia ter um futuro promissor, deixando vivos aqueles que já tiveram oportunidade de viver bastante.

A morte prematura revolta a razão comum. Porém, “muitas vezes é um grande benefício que Deus concede àquele que se vai, e que assim se preserva das misérias da vida, ou das seduções que lhe poderiam ter arrastado à perda. Aquele que morre à flor da idade não é vítima da fatalidade, mas Deus julga ser-lhe útil não permanecer por mais tempo na Terra”, diz com lucidez o espírito Sanson, em O evangelho segundo o espiritismo.

O dia a dia de Lúcia, porém, vai sendo abençoado pela misericórdia divina, que encontra meios para que o amor da mãe seja direcionado em benefício de outra pessoa e, mais do que isso, para que ela possa ter certeza da continuidade da vida em outra dimensão. Somente desta forma ela consegue compreender a afirmativa do filho, inicialmente como um brado de desespero, por não entender a situação que estava enfrentando, e depois com carinho e consolação. Júlio, seu filho, dizia constantemente: Mamãe, estou aqui!

Mas e aqueles que permanecem vivos, principalmente os pais, não podem chorar a perda do filho ou da filha? “Impossível não chorar, como alguns aconselham”, afirma Regis de Morais. “Seria desumano pedir isto. Se as lágrimas não forem de revolta, se não rolarem de mistura com blasfêmias, aliviarão a quem chora sem causar problemas à caminhada espiritual da criatura jovem que se foi.”

Quando passamos a entender os planos de Deus para as nossas vida e as daqueles a quem amamos, entendemos que nada acontece sem necessidade, e nos sentimos integrados aos planos de Deus, tendo lágrimas de saudade no lugar de lágrimas de revolta. “É preciso juntar as forças que restam e num inaudito esforço, pôr a alma de joelhos e, ainda que com lágrimas de saudade banhando o rosto, dizer as graves palavras das sagradas escrituras: ‘O Senhor deu e o Senhor tirou. Louvado seja o nome do Senhor’”, complementa Regis.

O espírito Salete Dias, por meio do médium Cosme Laurindo da Silva, transmitiu emocionante história, publicada recentemente no livro Duda na Cidade das Flores, onde conta as aventuras de Duda junto a sua mentora espiritual Celina e a Elias, um amigo de infância que desencarnara de forma trágica, aos 11 anos de idade, e que passa a ajudá-la a desvendar o fascinante mundo dos espíritos.

Em determinado trecho da obra, podemos ler: “Na varanda ao lado, via-se a casa dos padrinhos de Elias. Duda estava interessada em saber notícias do novo irmão do vizinho. Sua mãe, Jane, estava no sexto mês de gravidez. O pai, Sérgio, e a família viviam a expectativa da chegada de um bebê. ‘Não sei por quê, tenho sempre a sensação de que um amigo está chegando...’ – confabulou Duda consigo mesma. Celina, que a visitava nesse instante, sorria. E em pensamento dizia: ‘Sim, Duda. Elias está voltando!’”

A vida continua no mundo espiritual. E os reencontros acontecem sempre, inclusive aqui na vida material, por meio da reencarnação. “Se o homem só tivesse uma existência e se, depois dessa existência, sua sorte futura estivesse fixada para todo o sempre, qual seria o mérito da metade da espécie humana, que morre com pouca idade, para gozar sem esforços a felicidade eterna?”, observam ainda os espíritos em O livro dos espíritos.

Júlio voltaria a afirmar Mãe, estou aqui, reencarnado ao lado de Lúcia? O romance talvez reserve essa surpresa... Assim como a vida real sempre nos reserva surpresas.

“Quando amamos alguém, precisamos nos conscientizar de que esse amor é eterno. Precisamos aprender a amar as pessoas com esse amor atemporal”, conclui Armando Falconi Filho.

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