O que nos espera além da vida?

Editora EME      quinta-feira, 6 de julho de 2017

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Passos de um gigante é o 4º romance psicografado por Mônica Cortat pela iniciativa de um grupo de espíritos que se reúne para contar, cada um, a história de sua última encarnação.

No primeiro, Cartas a Júlia, Clara conta a sua história. No segundo, Quando vier o perdão, é a vez de Olavo e, no terceiro, temos a vida de Cora no livro que levou seu nome, Cora do meu coração. Agora é a vez de Vicente. Ele não gosta de religião, não acredita em Deus nem em vida depois da morte. Mesmo depois que sua família conhece o espiritismo, fundando até mesmo um centro, Vicente se nega a participar ou acreditar em qualquer coisa além desta vida material. Por conta dessa descrença, ele acaba impedindo a ajuda que receberia no momento de sua morte e passa anos vivendo na escuridão até conseguir pedir ajuda e, finalmente, ser socorrido e levado para uma colônia espiritual.

Percebe-se, portanto, que se Vicente acreditasse no mundo espiritual, sua passagem para o além teria sido diferente, com menos sofrimento. Ou não?

O além é sempre o desconhecido. O além religioso foi variando a tal ponto que passou a ser o céu acima de nós. Na época da Idade Média o universo era imaginado como uma esfera fora da qual existiam Deus e os anjos. Ou seja, havia também um local para Deus, após o último dos diversos ‘céus’ do conceito de Aristóteles. O além, assim, é sempre pensado como um local físico, vivenciado através da presença do corpo.

Nas religiões dogmáticas, após a morte a alma sente (um sentir interno, de lembranças vividas), mas não se manifesta. Assim, quem morreu e vai para o céu, fica em estado de beatitude. Quando, então, esta pessoa irá usufruir a tal Terra Prometida? Após o Juízo Final, quando recuperar o corpo para desfrutar de um local físico já que, para se estar num local, o corpo também precisa estar lá.

Na época em que se acreditava que o mundo era apenas o local que se habitava, o além seria os lugares desconhecidos deste mesmo mundo. Quando as fronteiras do planeta se expandiram, o além se manteve no espaço. Mas, com o avanço das tecnologias, até mesmo o universo deixou de ser o além e passou a ser algo observável, que pode ser conhecido.

Sobrou, portanto, o além-túmulo. Então o mundo espiritual é o além? Se na Grécia antiga se achava que a morte era, de fato, o fim, a tradição cristã criou dois lugares para se passar a eternidade: o céu e o inferno.

Os túmulos, as velas, as flores e todo o aparato fúnebre somado à máxima de que, se você não se comportar bem vai para o inferno, faz com que as pessoas temam a morte. Mesmo quem vence este medo, porém, acaba por manter um outro: o medo do além-túmulo.

Se os católicos temem o inferno e o demônio, por sua vez os espíritas enfrentam o Umbral e os obsessores. Acontece, porém que, se o inferno católico apresenta o sofrimento físico, já que, como vimos acima, é preciso aguardar a ressurreição para sofrer com o corpo, segundo o espiritismo o sofrimento é moral, não físico, já que o corpo espiritual sofre a influência do que se pensa e se sente.

Então, um ambiente ruim no mundo espiritual é consequência dos pensamentos e dos sentimentos próprios e não exatamente um lugar físico, determinado para o espírito ficar lá, sofrendo. Desta forma, o Umbral é uma ilusão que desaparecerá quando do desapego das emoções ruins. Neste momento, o corpo espiritual vivenciará uma espécie de sublimação, ou seja, se tornará mais leve.

Aqui, vale verificar a importância da cultura na formação e na conformação do indivíduo. Os medos estarão ligados às informações recebidas pela pessoa em sua presente encarnação. Observemos a metáfora proposta por Dante Alighieri, em sua Divina Comédia, quando, ao se chegar à porta do inferno lê-se o seguinte aviso: “Deixe aqui todas as suas esperanças”. Assim, o auge do sofrimento moral é a vida sem esperança, sem poder ‘esperançar’ - e é este sofrimento moral que causa o medo.

Segundo consta, Dante escreveu sua obra baseando-se nas visões que tinha durante seus sonhos. Se, de fato, Dante foi ao plano espiritual enquanto dormia, levou consigo a cultura de que o inferno era um lugar para onde vão os pecadores, e, desta forma, é assim que ele vai interpretar o mundo espiritual. O mesmo aconteceu com André Luiz ao descrever a colônia espiritual “Nosso Lar” ou o Umbral. Quem imagina, então, que a vida após a morte é definitiva, acredita que viverá a eternidade neste ou naquele lugar. Mas a doutrina espírita afirma que o mundo espiritual é transitório.

Em O Céu e o Inferno, uma das obras básicas da doutrina espírita e – infelizmente – uma das menos lidas, Kardec faz um verdadeiro trabalho de sociologia ao conversar com espíritos diversos, em condições relacionadas às escolhas que eles mesmos fizeram. Por exemplo, quem optou pelo apego às coisas materiais, pelo orgulho, pela inveja, pelo ciúme, etc., vai vivenciar, após a morte, o apego ao que deixou na vida física. E isso vai causar o sofrimento. Nesta obra, portanto, o sofrimento ficará muito claro como algo inerente à imperfeição. Ninguém sofre em virtudes das coisas que fez no passado nem mesmo um castigo imposto por Deus. As pessoas sofrem em função das imperfeições que tem. O sofrimento cessa quando cessa a imperfeição. Assim, precisamos considerar que, em verdade, o inferno católico ou o umbral espírita nada mais são do que um sofrimento auto-impositivo, o aprisionamento do ser em si mesmo – o chamado emsimesmamento.

O depoimento destes espíritos à Kardec comprova que não existem lugares fixos, pré-determinados. Quem observa este mundo espiritual são os espíritos, através dos sentidos deles. Lá eles têm um corpo e uma matéria, uma natureza e leis próprias. Quando o espiritismo trata do mundo espiritual, portanto, este também deixa de ser o além e, na visão espírita,o estado de beatitude aceito pelas religiões dogmáticas não ocorre. Como o espírito não é aquele corpo morto, então este estado de suspensão é, somente, ideológico.

De posse disto, a preocupação não é para onde vamos e, sim, nossos pensamentos, sentimentos, com quem estamos sintonizados e, através de tudo isto, que lugar ocupamos neste mundo espiritual.

Morrer, segundo o espiritismo, é uma continuidade, o que explica o progresso e justifica o avanço da humanidade, intelectual e moral. Este é um dos pontos capitais à existência humana. A certeza do que nos aguarda após a morte é o que nos alimenta a fé e nos dá força para enfrentar as dificuldades do dia a dia.

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