O lar, lugar primeiro para os resgates da alma

Editora EME      sexta-feira, 1 de setembro de 2017

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Certamente você já leu e algum lugar a frase “O acaso não existe”, seguida de outra sentença: “Leia Kardec”. Curiosamente, este conceito não está escrito literalmente na Codificação. Porém é afirmado várias vezes, mesmo com veemência, que nada ocorre por acaso, havendo um propósito para tudo que há no Universo. Portanto, é mesmo importante ler as obras de Kardec para compreender o que a frase propõe.

Na Revista Espírita de Junho de 1866, por exemplo, Kardec analisa a tentativa de assassinato sofrida pelo czar Alexandre da Rússia. No momento do atentado, um jovem camponês chamado Joseph Kommissaroff interveio, evitando que o crime fosse consumado.

O Codificador fez quatro interessantes observações a propósito do ocorrido:

1) Muitos atribuirão ao acaso o surgimento do jovem camponês na cena do crime. O acaso, porém, não existe. Como a hora do czar não havia chegado, o moço foi escolhido para impedir a realização do crime, pois as coisas que parecem efeito do acaso estavam combinadas para levar ao resultado esperado.

2) Os homens são os instrumentos inconscientes dos desígnios da Providência e é por eles que ela os realiza, sem haver necessidade de recorrer para tanto a prodígios.

3) Se Kommissaroff tivesse resistido ao impulso recebido dos Espíritos, estes se valeriam de outros meios para frustrar o crime e preservar a vida do czar.

4) Uma mosca poderia picar a mão do assassino e desviá-la do seu objetivo; uma corrente fluídica dirigida sobre seus olhos poderia ofuscá-lo e assim por diante. Mas, se tivesse soado a hora fatal para o imperador russo, nada poderia preservá-lo.

Também analisando este caso, o Espírito Moki, por meio do Sr. Desliens, em uma sessão espírita realizada na casa de uma família russa residente em Paris, esclareceu que mesmo na existência do mais ínfimo dos seres nada é deixado ao acaso: os principais acontecimentos de sua vida são determinados por sua provação; os detalhes, influenciados por seu livre arbítrio.

Mas o conjunto da situação foi previsto e combinado antecipadamente por ele e por aqueles que Deus predispôs à sua guarda.

Isso nos remete a uma das maiores responsabilidades que o ser humano recebe quando ainda no plano espiritual: a de ser o guardião, quando aqui estiver reencarnado, de espíritos que nos chegam na qualidade de filhos, justamente para as necessárias orientações e os devidos carinhos de que se fizerem carentes, ajudando-os para o reajuste espiritual.

E então estes espíritos se reencontrarão sob o mesmo teto, na condição de pais, filhos e irmãos. E é neste ambiente, comumente conhecido como lar, que serão oferecidas as oportunidades de novo aprendizado moral, possibilitando aos reencarnados exercitarem no campo afetivo, a fraternidade, a solidariedade, enfim, os sentimentos derivados do amor.

Acontece que fazemos um planejamento daquilo que desejamos cumprir e experimentar, mas a partir do momento que entramos na vida material, passamos a nos sujeitar às suas reações e podemos sofrer coisas que não tem nenhuma relação direta com nossa existência. Muitos, diante de uma adversidade que modifique a vida, se desesperam e não conseguem se adequar à nova situação, revoltando-se. Na revolta, buscam inculpar alguém pelo ocorrido. Quando encontram este alguém, descarregam sobre ele a sua inconformação. E esse alguém passa a ser o objeto do seu desprezo, mesmo que seja um ente que deveria lhes ser muito caro. Um ente que fora trazido ao seu lar para também cumprir a sua programação de vida e recebe constantemente toda a carga de sofrimento que lhe impõem.

Este é o mote de Meu filho, romance mediúnico de Wanda A. Canutti e do espírito Eça de Queirós.

Na trama, Stella, o grande e único amor de Thomas, morre ao dar à luz seu primeiro filho, o pequeno William. Inconformado, desorientado e completamente revoltado, o jovem pai se fecha em seu mundo, onde não permite nem aceita a existência do filho a quem culpa pela morte prematura de sua tão amada e ainda jovem esposa.

Atravessando sua existência entre a revolta e a solidão, Thomas se vê, de repente, no mundo espiritual, para somente aí dar-se conta do tempo desperdiçado e do trabalho que precisará encetar para compensar a oportunidade perdida por conta de seu egoísmo.

No seu lar - agora infeliz -, o pequeno William, vive e cresce abandonado pelo próprio pai, sentindo-se órfão de pai vivo e desprezado por quem deveria amá-lo e protegê-lo.

No prefácio da obra, Eça de Queirós nos lembra que o “lar é o lugar primeiro onde os resgates são efetuados. É no dia a dia, no seio familiar, que estão as nossas maiores oportunidades de aprimoramento espiritual. É justamente lá que desfazemos os compromissos que trouxemos, ou adquirimos outros se não soubermos nos conduzir, mantendo uma convivência cristã e fraterna com aqueles que foram determinados por Deus para partilharem conosco da nossa existência terrena”.

O autor espiritual é enfático: “Ninguém é colocado no nosso lar por acaso”. Ou temos compromissos com eles para serem ressarcidos, ou eles têm conosco e precisam do nosso amor, do nosso entendimento para desfazerem os seus.

A doutrina espírita ampliou o conceito de família, oferecendo-nos um programa de desenvolvimento que pretende enfocá-lo em suas dimensões biológicas, psicológicas, sociais e espirituais. Aquele que reencarna no seio familiar não é considerado inexperiente, mas uma individualidade que traz consigo seus vícios e virtudes de passado. Ou seja, o processo de desenvolvimento não é começado, mas continuado a cada nova experiência de renascimento.

Por isso, no capítulo 14 de O evangelho segundo o espiritismo, item 9, Santo Agostinho conclama aos espíritas que compreendam que “quando gerais um corpo, a alma que se encarna vem do espaço para progredir. Tomai conhecimento dos vossos deveres, e ponde todo o vosso amor em aproximar essa alma de Deus”. E relembra: “Não foi o acaso que o fez assim e que vo-lo enviou”.

E assim voltamos ao acaso. Aquele que realmente não existe. Sim, Deus age em nossas vidas – e muito –, mas não viola nosso livre-arbítrio e também não castiga. Ele apenas permite que recebamos a colheita de acordo com o que plantamos. Conforme elucida Kardec, na Revista Espírita acima mencionada, “tudo se liga no mundo, pelo concurso das forças inteligentes que o dirigem; nada é inútil, e as menores coisas em aparência podem conduzir aos maiores resultados, e isto sem derrogar as leis da Natureza”.

Leia Kardec.

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