Muito além de um simples descanso físico

Editora EME      quinta-feira, 29 de junho de 2017

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A escritora modernista inglesa Virginia Woolf (1882-1941) afirmou que o sono era uma “deplorável redução do prazer da vida”. Ela acreditava, portanto, que dormir era o mesmo que perder tempo. Tempo este que seria mais bem utilizado se ficássemos acordados o tempo todo.

Pura ilusão. Ou Virginia apenas desconhecia a importância que o sono tem no funcionamento de nosso corpo e da nossa mente. Afinal de contas, sabe-se que dormir não é apenas uma necessidade de descanso mental e físico: durante o sono ocorrem vários processos metabólicos que, se alterados, podem afetar o equilíbrio de todo o organismo a curto, médio e, mesmo, em longo prazo. Estudos provam que quem dorme menos do que o necessário tem menor vigor físico, envelhece mais precocemente, está mais propenso a infecções, à obesidade, à hipertensão e ao diabetes.

Se o sono é uma necessidade fisiológica para descanso do corpo, claro que o Espírito não precisa desse descanso. Enquanto o corpo se relaxa, afrouxam-se os liames entre o Espírito e o corpo material possibilitando, assim, que o Espírito encarnado tenha uma possibilidade de entrar em contato com o mundo espiritual.

Depois deste contato, o Espírito encarnado retorna ao corpo físico que, devido aos seus implementos orgânicos, cerebrais, não têm possibilidade de percepção total da experiência vivida pelo Espírito no contato com o plano espiritual.

O que resta são, portanto, alguns fragmentos de lembranças daquela experiência. Chamamos estes fragmentos de “sonho”. Se os Espíritos influenciam em nossas vidas muito mais do que nós supomos, conforme a questão 459 de O Livro dos Espíritos, então através do sono a possibilidade de influência é muito maior.

Diante desta constatação, torna-se muito importante a compreensão e o estudo do sono e dos sonhos para um conhecimento mais amplo do fenômeno da emancipação da alma e das experiências vivenciadas pelo Espírito neste estado de liberdade. Por isso, o livro de Severino Barbosa, O sono e os sonhos, atende a esta necessidade de evidenciar com maior intensidade as características espirituais deste desligamento que acontece diariamente.

Se a ciência oficial, analisando tão somente os aspectos fisiológicos das atividades oníricas, ainda não conseguiu conceituar com clareza e objetividade o sono e o sonho, Allan Kardec, através da Codificação Espírita analisa amplamente os sonhos em seus aspectos fisiológicos e espirituais. Sem considerar a emancipação da alma, sem conhecer as propriedades e funções do perispírito, fica muito difícil explicar a variedade das manifestações que ocorrem durante o repouso do corpo físico.

No capítulo VIII do livro segundo de O Livro dos Espíritos, analisando a emancipação espiritual, Kardec coloca o sono como a primeira fase deste fenômeno, que antecede ao sonambulismo e ao êxtase que seriam estados mais profundos de independência pelo desprendimento parcial do Espírito. Na questão 400, ele indaga se o Espírito “permanece voluntariamente no seu envoltório corporal” e obtém como resposta que o Espírito encarnado “aspira incessantemente à libertação e quanto mais grosseiro é o envoltório, mais ele deseja desprender-se dele".

Na questão seguinte, Kardec pergunta se a alma repousa como o corpo, durante o sono. A resposta é enfática: Não. Como o Espírito jamais está inativo, durante o sono, “os laços que o unem ao corpo se afrouxam, e como o corpo não tem necessidade de sua presença, o Espírito percorre o espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos”.

Então, na questão 402, Kardec indaga: "Como podemos julgar a liberdade do Espírito durante o sono?" E os Espíritos dão a dica: “pelos sonhos”.

No livro Estudando a Mediunidade, Martins Peralva classifica os sonhos em comuns, reflexivos e espíritas. Os sonhos comuns seriam as lembranças dos quadros que permanecem impressos em nossa própria mente. Relacionadas ao nosso cotidiano e dada à nossa condição espiritual, são imagens às vezes confusas e caóticas. Os reflexivos seriam aqueles em que o desprendimento ou emancipação da alma permite um mergulho mais profundo em nossos registros perispirituais, recuperando imagens, cenas de vidas passadas. Estas imagens são coerentes e se apresentam mais nítidas, como cenas de um filme.

Por fim, os sonhos espíritas refletem as lembranças de nossa vivência real no mundo dos Espíritos. São recordações de encontros, estudos, conversas, tarefas que desenvolvemos, entre outras situações – incluindo também perseguições e acontecimentos desagradáveis, sempre em função de nossa sintonia espiritual.

Na Revista Espírita de Dezembro de 1858, em uma mensagem reproduzida sob o título “Dissertações de além-túmulo - o sono”, um Espírito que não quis se identificar, orienta para que aprendamos a distinguir bem duas espécies de sonho: a primeira seria a lembrança daquilo que nosso Espírito viu durante o sono. A segunda, a lembrança da alma inteiramente desligada do corpo. Ele lembra que este é o sonho dos “profetas judeus e de alguns adivinhos indianos”.

Nesta segunda categoria estão algumas personalidades que Severino Barbosa cita em seu livro. Recentemente precursor de uma cinebiografia, o presidente Lincoln viu, em sonho, cenas de seu próprio velório, uma semana antes de ser assassinado, fato que relatou ao amigo Ward Lamon e que escreveu o episódio em seu diário. Sobre este tipo de sonho que mostra o futuro, Allan Kardec, no livro A Gênese, na parte segunda do capítulo XIV, acrescenta a percepção de “criações fluídicas do pensamento” do próprio sonhador, provavelmente causadas pela “exaltação de crenças, por lembranças retrospectivas, por gostos, desejos, paixões, temor, remorsos, pelas preocupações habituais, pelas necessidades do corpo ou por um embaraço nas funções do organismo; finalmente, por outros Espíritos, com objetivo benévolo ou malévolo, conforme sua natureza”.

Em suma, Kardec propõe causas orgânicas, psicológicas, parapsicológicas e espirituais aos sonhos muito antes de Freud escrever A interpretação dos sonhos. Neste estudo, Freud apresenta uma instância da mente até então ignorada: o inconsciente. O pressuposto foi o estopim de uma revolução teórica que permeou o debate sobre o comportamento humano no século 20.

Percebe-se, portanto, a importância de se conhecer bem este tema, e o livro de Severino Barbosa surge como boa opção de estudo. Se tivesse lido mais a respeito, talvez Virginia Woolf desse mais importância ao sono e não teria se suicidado, após um colapso nervoso. No dia 28 de Março de 1941 ela vestiu um casaco, encheu seus bolsos com pedras e entrou no Rio Ouse, afogando-se.

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