Gestão de Crises Emocionais - Entrevista com Donizete Pinheiro

George De Marco      segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

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DONIZETE PINHEIRO é casado, pai de três filhos e magistrado aposentado. Pela Editora EME, Donizete publicou Terapia da paz, Um olhar sobre a honestidade, Contos modernos em tempos de paz, A morte sem mistérios e Quando Deus abre portas.

 

Nesta entrevista, o magistrado nos fala sobre as motivações e os objetivos para escrever este seu novo livro, Gestão de crises emocionais. Confira:

O que o inspirou para escrever este livro? Qual o objetivo da obra?

Eu ministro cursos rápidos no Grupo Espírita Jesus de Nazaré, em Marília, e procurava nos livros de Joanna de Ângelis algum tema interessante. Em Encontro com a Paz e a Saúde vi o capítulo ‘Crises e Turbulências’ e achei que era atual e despertaria a atenção dos companheiros. Então, estudei o assunto nas várias obras da mentora, na de Carlos Pastorino, nos livros de Allan Kardec, de André Luiz e outros. Como o curso foi bem aceito, resolvi passar para o papel o conteúdo exposto, devidamente ampliado e fundamentado, e que agora a EME gentilmente aceitou publicar. Nosso propósito é dividir com o leitor nossas reflexões e estudos sobre as diversas crises e conflitos humanos, e que muitas vezes são causas de aflições, com algumas sugestões para a superação.

Quais seriam as principais crises humanas?

No livro enfocamos as crises: existencial, social, moral, afetiva, econômica, espiritual, de identidade, de gênero, de gênero sexual e da velhice.

Qual a melhor reação diante de uma crise?

Se podemos resumir numa palavra, diríamos que é a serenidade. Administrar uma crise pede uma atitude racional e um equilíbrio emocional, que só se consegue com o tempo, muitas experiências e algumas práticas, que sugerimos no livro, tais como: instrução, meditação, respiração, concentração e reflexão, além de gratidão, oração, vontade e disciplina. Conseguindo a calma diante do conflito, será possível refletirmos sobre as medidas adequadas para a solução.

Todos passam por alguma crise, ou existe alguém com privilégios que as consiga evitar?

A crise é inevitável para todos os espíritos, sujeitos que somos ao processo evolutivo que nos conduz da ignorância à pureza. Na lei de Deus não há exceções. Ao longo desse processo, somos, vez por outra, compelidos a enfrentar eventos que testam o nosso grau evolutivo e nos convidam a mudanças, a prosseguir para frente; as crises surgem também da nossa ainda incapacidade de fazer boas escolhas e agir com acerto, do que advêm consequências que devemos assumir. Quando percebemos um descompasso entre o que somos e o que queremos ser, surge a crise, o conflito íntimo e emocional, que deve ser superado da melhor maneira possível.

As crises fazem surgir, com maior relevância, a busca de um sentido para a vida. Então procuramos de maneiras diversas: na ciência, na religião, na filosofia, teologia, nas ciências do ocultismo, nas ciências religiosas, na psicologia ou até mesmo no ateísmo. Onde, afinal, encontrar a melhor solução para o fim da crise?

Todo o conhecimento acumulado pela humanidade, nas diversas áreas do pensamento, contribui para que hoje tenhamos variados recursos para o enfrentamento da vida. Cada situação, conflito ou crise pede uma solução própria e devemos nos valer do recurso que seja adequado. Questões morais, afetivas ou existenciais podem ser resolvidas com a contribuição da religião, da psicologia e da filosofia; nas crises sexuais e da velhice acrescentamos o apoio da medicina; problemas financeiros pedem a colaboração de economistas e técnicos que lidam com o dinheiro.

Podemos afirmar que a finalidade da crise é o aperfeiçoamento do espírito, fazer com que ele ganhe mais confiança em si mesmo e em Deus e conquiste uma situação melhor?

Podemos dizer que uma crise resolvida promove a melhoria do espírito. Quando a gerenciamos, naturalmente desenvolvemos a nossa inteligência e ganhamos experiência e nos tornamos mais seguros e preparados para novos eventos, que sempre existirão, porquanto o progresso é infinito. No entanto, quanto mais evoluídos, menor é a crise, o conflito que se estabelece.

Se a crise é uma espécie de apoio para realizar o aprendizado encarnatório da presente existência, então não podemos contar com a ajuda de outras pessoas?

Pelo contrário. Não temos ainda condições de resolver sozinhos todos os nossos problemas e, por isso, a colaboração de outras pessoas é imprescindível na solução das nossas crises. Exatamente por isso é que Deus estabeleceu a vida em sociedade, para que nos ajudemos uns aos outros. Os mais aperfeiçoados e experientes auxiliando os da retaguarda, ao mesmo tempo em que também adquirem outras virtudes. E o fato de contarmos com a ajuda de outrem não diminui o aprendizado que a crise nos proporciona. Com o acúmulo do conhecimento ao longo da história da humanidade, difundido em livros ou permutados pelos indivíduos, a vida se tornou mais fácil e o sofrimento diminui para aqueles que buscam esses recursos, porque o conhecimento da verdade nos liberta.

Segundo pesquisas, nunca os consultórios de psicologia estiveram tão cheios. Seria usar a crise existencial como um campo de exploração da miséria humana?

De forma alguma. Psicólogos, médicos e outros profissionais da saúde desempenham relevante tarefa no socorro aos doentes de qualquer natureza. E, ao contrário de ficarmos sofrendo sozinhos, é inteligente buscar ajuda com aqueles que podem nos ajudar a superar a crise. Obviamente, esses profissionais devem ser remunerados pelo serviço, já que estudaram a investiram no aprendizado. Eventuais abusos são praticados por profissionais interesseiros e deles devemos nos afastar.

A história registra exemplos de pessoas que descobriram um sentido para a vida. Podemos também nós encontrar o meio mais eficaz de realização dos nossos mais profundos anseios?

Deus nos criou para a felicidade, que será alcançada quando atingirmos maior grau de pureza espiritual. O que nos faz avançar são as nossas necessidades e nosso desejo de ser feliz. Sem metas, objetivos e anseios permanecemos desanimados e angustiados, portanto, sofremos. Na medida em que desenvolvemos a consciência e a inteligência, ampliamos a nossa visão e assim encontramos novos estímulos, um propósito para avançar. Todos podemos alcançar os nossos anseios, mas nem sempre no momento em que queremos, razão pela qual devemos persistir sempre. O grande cuidado, porém, é na escolha das metas corretas, que devem ser para o bem, porque a lei é da semeadura e colheita.

Engana-se quem acredita que a posse de bens materiais resolve o problema da crise existencial?

A posse de coisas não é a solução direta e eficiente para os nossos problemas da alma. Certo que o dinheiro ameniza a aflição, pelas facilidades que permite e portas que abre. Que o diga quem está doente e só pode recorrer ao SUS brasileiro. Contudo, são as virtudes que nos fazem fortes, capazes de enfrentar qualquer tipo de crise e dar a ela as melhores soluções.

O momento da passagem para o outro plano da vida pode ser visto como um momento difícil, um tipo de crise também? Se sim, como saná-lo?

É mais um evento natural a ser enfrentado, do qual ninguém se furta, sem que importe necessariamente numa crise relevante. Allan Kardec ensina que a morte do corpo provoca no Espírito um certo estado de perturbação, que será maior ou menor dependendo da evolução do espírito e da maneira pela qual se deu a desencarnação. O espiritismo nos oferece informações importantes sobre a morte, a desencarnação e a vida espiritual, de modo a enfrentarmos o retorno com fé e coragem, com a certeza de que a vida prossegue sempre e em variados planos. Com esse conhecimento e uma postura correta, a desencarnação não será motivo de crise.

E que mensagem deixaria aos nossos leitores e leitoras?

Quero dizer que este livro foi uma grande oportunidade de aprendizado primeiramente para mim mesmo, me permitindo refletir sobre as grandes questões da vida e encontrar caminhos corretos para o enfrentamento. Desejo que também seja útil ao leitor.


 


 

 

 

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