Eu não acredito em bruxas, mas...

Editora EME      sexta-feira, 22 de setembro de 2017

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Em sânscrito, bruxa significa “mulher sábia” e assim eram denominadas as mulheres que conheciam e entendiam do emprego de ervas medicinais para cura de enfermidades, e colocavam em prática seus conhecimentos nos vilarejos onde habitavam.

Com a chegada do cristianismo fazendo valer a era patriarcal, as mulheres foram colocadas em segundo plano e tidas como objetos de pecado utilizados pelo diabo. Muitas não aceitaram esse significado secundário de e se rebelaram. As que eram dotadas do “poder espiritual de cura” começaram a obter novamente o prestígio que haviam perdido. E isso passou a incomodar o poder religioso.

Quando a Igreja Católica implantou os tribunais da Inquisição a partir do século 14, reprimindo tanto a disseminação das seitas heréticas como a prática de magia e outros comportamentos considerados pecaminosos, a perseguição às bruxas foi metódica e violenta.

As que escaparam da fogueira eram banidas e mandadas até para regiões da África. Em Portugal também houve caça as bruxas. Nos Açores a perseguição foi tão intensa que, no século 18, os açorianos partiram para colonizar o Sul do Brasil. Chegaram a uma ilha depois batizada de Florianópolis, também conhecida como a Ilha da Magia. Muitos creditam este apelido às belezas naturais do lugar. A verdade, porém, é que tal alcunha está ligada às bruxas. A capital do estado brasileiro de Santa Catarina tem uma história recheada de mitos e lendas – e as bruxas são as principais figuras das lendas da região.

Allan Kardec, em O que é o espiritismo, lembra que em “todas as épocas tem havido pessoas médiuns por natureza ou inconscientes que, por produzirem fenômenos insólitos e não compreendidos, são qualificadas de bruxos ou feiticeiros e acusadas de ter pacto com Satanás”. Mais adiante, Kardec explica que “longe de ressuscitar a bruxaria, o espiritismo a destruiu para sempre, despojando-a de seu pretenso poder sobrenatural, de suas fórmulas, despachos, amuletos e talismãs, reduzindo às suas devidas proporções os fenômenos possíveis e que em verdade não ultrapassam o âmbito das leis naturais”.

Em O livro dos médiuns, a mediunidade de cura está perfeitamente catalogada, deixando muito claro a importância do assunto, que é o tema central de Espelho D´água, novo romance mediúnico de Mônica Aguieiras Cortat e Alice, autora espiritual.

O livro conta a história de duas mulheres, Alice e Aline, cada uma com seus diferentes dons, adquiridos ao longo de muitas vidas.

Elas vivem em uma ‘ilha’ no Brasil. E, segundo elas, “em nossa ilha havia as bruxas”. A mãe delas, inclusive, “tinha uma “bruxa particular”, uma senhora de olhos negros, cabelos grisalhos, muito simpática que trazia para ela remédios para as cólicas, unguentos para os resfriados e as vezes sentava-se em nossa cozinha (adorava doces) para uma boa prosa”: dona Adelaide.

Ao longo da narrativa, percebemos que Adelaide se utiliza bastante do fenômeno chamado de "dupla vista" ou "segunda vista" que, segundo os espíritos da codificação, em O livro dos espíritos, questão 447, nada mais é que “a vista da alma”.

Nas questões seguintes, aprendemos que a dupla vista seria uma faculdade permanente das pessoas que a possuem, embora não estejam continuamente em exercício da mesma. É uma faculdade que se manifesta de forma espontânea, embora a vontade de quem a possui tenha um papel em seu mecanismo e possa desenvolver-se com o exercício.

O vidente sueco Emanuel Swedenborg, por exemplo, podia ver e descrever com precisão espíritos e cenas do mundo espiritual. Já Apolônio de Tiana, estando a ensinar a seus discípulos em praça pública, interrompeu-se de repente, e em seguida anunciou o assassínio de Domiciano, morto sob o punhal de um liberto. Por sua vez, a ‘bruxa’ Adelaide se utilizava do fenômeno quando ia visitar a família das irmãs Aline e Alice. Ela ia primeiro em espírito, para saber como eles estavam e do que precisavam e, assim, já levava tudo preparado para atender a necessidade de cada um.

Ao se utilizar a dupla vista, uma ocorrência relativamente comum é enxergar os órgãos internos de um doente, localizando e descrevendo aqueles que se encontram precisando de tratamento. Conforme lemos em O livro dos médiuns, são quatro as condições fundamentais das quais depende o êxito da cura: o poder curativo do fluido magnético animalizado do próprio médium, a vontade do médium na doação de sua força, a influenciação dos espíritos para dirigir e aumentar a força do homem e as intenções, méritos e fé daquele que deseja se curar.

A fé, portanto, atua, neste caso, como uma força atrativa. Se o enfermo não possui esta fé, então vai opor “à corrente fluídica uma força repulsiva, ou pelo menos uma força de inércia, que paralisa a ação", de acordo com A gênese, capítulo 15, item 11.

Assim fica mais fácil entender porque Jesus, ao curar alguém, dizia: "se tiveres fé" ou "a tua fé te salvou".

Conforme a cura foi se tornando uma ciência, os clínicos ocidentais se afastaram da espiritualidade e da fé religiosa. De uns tempos para cá, porém, as necessidades dos pacientes, combinadas às pesquisas científicas que relacionam fé e boa saúde vêm pouco a pouco convertendo uma comunidade médica cética.

A bruxaria também buscou sua redenção até mesmo como religião. Seus conceitos sobreviveram e atraem pessoas do mundo inteiro. Apesar de toda a tecnologia que nos cerca, a fé em manifestações sobrenaturais permanece e muita gente continua imaginando que eventos concomitantes têm relação causal entre si mesmo que, na verdade, sejam independentes. As bruxas sempre foram vistas como curandeiras do povo, benfeitoras das comunidades em que viviam. Eram as “médicas dos vilarejos”, nas quais seus moradores confiavam e acreditavam.  Em Espelho D´água, Adelaide, que tem este papel, vai passando todos os seus conhecimentos para Alice, ensinando à sua jovem aprendiz que um dom deve ser usado para o bem, porque isso “agradará a Deus. Sempre usei os meus dons para Deus, não acredite em tudo o que falam de mim. Só acredito na minha própria consciência”.

E será que Alice aprende a lição? Somente lendo Espelho D’água é que iremos descobrir. Afinal, não acreditamos em bruxas, mas...

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