De falsa prostituta à verdadeira apóstola dos apóstolos

Editora EME      sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

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“Maria Madalena é por si só, um mistério histórico que nos encanta e desperta a nossa curiosidade. Ela é, muito provavelmente, a personagem mais enigmática, mais injustiçada e mais incompreendida, dos evangelhos. Atualmente, de acordo com as tradições culturais cristãs, Maria Madalena é considerada a santa padroeira de várias cidades, em diferentes regiões do mundo”.

Estas são palavras de Marco Antônio Vieira na segunda parte de seu livro Maria Madalena e o romano, lançamento da Editora EME.

Dividido em duas partes distintas, Maria Madalena e o romano apresenta na primeira, por meio de narrativa, o personagem principal, um soldado romano chamado Aelius Varus que, durante sua vida no século I, teve um breve contato com Madalena.

A segunda parte, tão importante quanto a primeira, é a materialização de algumas reflexões que Marco Antônio Vieira deseja compartilhar com seus leitores, sem perder de vista as bases conceituais da doutrina espírita.

Maria Madalena é assim chamada por ser de Magdala, aldeia de pescadores que ficava na costa oeste do mar da Galiléia, próxima a cidade de Tiberíades.O Novo Testamento nos relata que Cristo expulsou dela sete demônios (Marcos 16.9; Lucas 8.2) e depois ela se tornou uma das mulheres que acompanharam e seguiram a Jesus (Lucas 8.2-3). Junto com outras mulheres, permaneceu aos pés da cruz (Marcos 15.40; Mateus 27.56; Lucas 23.49; João 19.25) e assistiu ao sepultamento do Mestre (Mateus 27.59-69; Marcos 15.46-47; Lucas 23.55,56). Deixando passar o sábado, que era dia de descanso, Maria vai, na madrugada de domingo, aplicar especiarias no corpo de Jesus, conforme o costume, e se torna a primeira testemunha da ressurreição de Cristo (Mateus 28.1-8; Marcos 15.1-19; Lucas 24.1-10; João 20.1-18).

Do que vimos acima, percebe-se que a Bíblia nada diz sobre a vida de Maria Madalena antes de sua conversão, a não ser o fato de que foi liberta por Cristo de sete demônios. Mas isso não quer dizer que Madalena tivesse uma vida devassa.

Tudo indica que esse título para ela tenha sido uma invenção cuidadosa da igreja, que escolheu certos evangelhos para seguir e outros para ignorar. Dessa forma, a instituição combinou histórias e teceu informações que enterraram a verdade de uma das personagens femininas mais fortes da literatura antiga.

Por exemplo, no segundo século depois de Cristo, o teólogo Tertuliano de Cartago (150-222), em seu tratado De Pudicitia, confunde e identifica Maria Madalena, Maria de Betânia e a pecadora de Lucas 7, como uma mesma pessoa.

Por ser pecadora, a mulher de Lucas 7 foi identificada com Madalena, que foi possuída por muitos demônios, e a associação de Maria de Betânia com a pecadora de Lucas 7 se deve ao fato de ambas ungirem os pés de Jesus. Mas é importante observar que a pecadora lavou os pés de Jesus com as próprias lágrimas enquanto que Maria de Betânia lavou com perfume.

Posteriormente associou-se Madalena à história da mulher adúltera do evangelho de João.

Em 540-604 d.C. a situação se complicou ainda mais quando o Papa Gregório declarou que Maria Madalena era a mesma mulher que todas as outras chamadas Maria nas escrituras sagradas (exceto, claro, a mãe de Jesus).

Por que a Igreja quis fazer dela uma prostituta e extrema pecadora aos olhos dos fiéis? Segundo estudiosos, isso aconteceu porque a Igreja queria utilizar as poucas e confusas “sugestões” (interpretando da forma dela) da Bíblia sobre Maria Madalena para manter as mulheres fora do clero.

No entanto, na parte ocidental da Igreja, continuava a se pensar diferente, como testemunha Modestus, patriarca de Jerusalém, em 630 d.C., que acreditava, contrariando a crença tradicional sobre Madalena, que ela havia morrido virgem e mártir, e que fora líder das discípulas.

E é assim que, embora o catolicismo mais erudito não creia que Madalena fosse prostituta e adúltera, o catolicismo popular o crê firmemente. E alguns espíritas também.

Porém, com a descoberta dos chamados evangelhos apócrifos (o de Maria, o Proto-Evangelho de Tiago, o de Filipe e o Pistis Sophia) encontrados na cidade de Nag Hammadi no Egito,em 1945, surgem os primeiros sinais de sua importância. Eles consideram Maria Madalena como o espírito da Sabedoria descrita em Provérbios oito; a personificação da gnosis (conhecimento); a amada de Jesus; adversária de Pedro; ministra da evangelização; discípula e apóstola de Jesus; a apóstola dos apóstolos.

Os evangelhos apócrifos ficaram fora da Bíblia, mas foram aceitos pelos fiéis mesmo que inconscientemente. É neles, e não nos canônicos, que estão relatados a infância de Maria, o casamento com José, a presença de um boi e de um asno no nascimento de Jesus, a virgindade antes e depois do parto, o número e o nome dos Reis magos e os nomes dos ladrões crucificados ao lado do Mestre. O uso de Palmas para cultuar Maria e o Lírio como símbolo de São José, também estão explicados nos apócrifos. A assunção de Maria, dogma católico desde 1950, mas que não consta dos evangelhos canônicos, prova que os apócrifos driblaram as proibições.

Se nos evangelhos canônicos é Pedro o líder máximo, nos apócrifos ele é descrito como ciumento, que pede a Jesus que expulse Madalena do grupo. Em tom de brincadeira, segundo o Evangelho de Tomé, Jesus responde a Pedro que transformaria Madalena em homem. Mas este ciúme de Pedro está baseado no fato de que Madalena era a favorita de Jesus, conforme os apócrifos. Foi para ela, enfim, que Jesus entregou, de fato, as chaves do reino.

Até o século 4 o cristianismo tinha duas correntes distintas: uma liderada por Paulo e outra por Tiago, irmão de Jesus. Quando o Império Romano oficializou o cristianismo, a corrente paulina foi a escolhida. Caso a corrente escolhida fosse a de Tiago e os evangelhos apócrifos e gnósticos fossem os “oficiais”, certamente o cristianismo seria diferente. Mas o espiritismo seria o mesmo porque, como Marco Antônio lembra na segunda parte de seu livro, Allan Kardec no capítulo 1, item 16 de A Gênese afirmou que “se novas descobertas lhe demonstrarem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará”.

Desta forma, Maria Madalena e o romano tem como principal objetivo “contribuir nos debates existentes sobre esta personagem singular” e, se possível, “colaborar no resgate daquela que é uma das principais personagens da História do Cristianismo, usando como pano de fundo a perspectiva filosófica cristã-espírita”, conclui o autor.

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