Criança no Além (Caso Isabella) - Rodrigues de Camargo
A morte da pequena Isabella em São Paulo, no dia 29 de março, causou muita polêmica em todo o Brasil. Muito se discutiu sobre a autoria do crime, mas uma pergunta permaneceu no ar: Que destino tomou a alma da criança, brutalmente assassinada?
A morte continua sendo um enigma para a maioria dos brasileiros, visto que somos 68% de católicos, 24% de protestantes, 2% de espíritas (o Brasil é o maior país espírita do mundo), 1% aproximadamente de outras diversas religiões, restando 5% que se consideram sem religião. Destes, 1% dizem não acreditar em Deus.
Os espíritas, diferentemente da maioria, acreditam na imortalidade da alma, na sua individualidade e também na comunicação dos mortos com os vivos.
Graças a O Livro dos Espíritos, assinado por Allan Kardec (pseudônimo usado pelo insigne professor Denizard Hippolyte Leon Rivail), publicado em 18 de abril de 1857, na França, a humanidade conheceu, enfim, as respostas para muitos mistérios, incluindo a questão formulada no início.
— No que se transforma a alma no instante da morte? — perguntou Kardec aos Espíritos.
— Ela volta a ser Espírito, isto é, retorna ao mundo dos Espíritos, o qual havia deixado momentaneamente. (Questão 149.)
E o Codificador do Espiritismo continuou:
Como a alma constata sua individualidade, já que não tem mais corpo material?
— Ela ainda tem um fluido que é dela própria, o qual retira da atmosfera de seu planeta e que representa a aparência de sua última encarnação: seu perispírito. (Questão 150ª.)
Você, leitor, com certeza deve estar pensando: No caso de Isabella, como isso se deu? Teria sofrido muito?
— Não. Freqüentemente o corpo sofre mais durante a vida do que no momento da morte: neste, a alma nada sente.
Sobre a infância da criança, Allan Kardec interrogou:
— Por que muitas vezes a vida é interrompida na infância?
— A duração da vida da criança pode ser, para o Espírito que está encarnado nela, o complemento de uma vida interrompida antes do término devido, e sua morte é, muitas vezes, uma provação ou expiação para os pais. (Questão 199.)
Informações igualmente preciosas nos ofereceram os Espíritos, através da psicografia do mineiro Chico Xavier, em sua obra intitulada Entre a Terra e o Céu, ditada do Além pelo médico André Luiz.
Conta-nos ele que, em determinado momento no plano espiritual, passa a ouvir uma suave melodia; ao se aproximar, percebe que a música era entoada por um coro de crianças felizes e sorridentes, em meio a paisagens de rara beleza.
Ele se encontrava no Lar da Bênção — um misto de escola de preparação para a maternidade e abrigo para espíritos que haviam desencarnado na infância. Alguns deles, naquele exato momento, recebiam a visita de suas mães, ainda encarnadas, que para lá se deslocavam por ocasião do sono físico.
O médico espiritual André Luiz, admirado com aquela visão, volta a questionar se haveria ali cursos primários de alfabetização; ao que a dirigente, Blandina, daquele educandário responde afirmativamente, pois que se tratava de um verdadeiro estabelecimento de ensino no Além, que abrigava, à época, cerca de dois mil Espíritos desencarnados em tenra idade, que lá permaneciam até reunir condições para retornar ao plano físico, o que se dava, na maioria das vezes, antes que o Espírito retomasse sua compleição adulta.
Essa é a instigante questão do “desenvolvimento da criança na vida espírita”, que está intimamente atrelada à retomada de consciência por parte do Espírito desencarnado, o que lhe permitirá plasmar as modificações necessárias em seu corpo fluídico.
Há, portanto, Espíritos que, tendo desencarnado na infância, em retorno ao plano espiritual reassumem em curtíssimo prazo a forma adulta que tinham antes de reencarnar, ou, ainda, outra apresentação perispiritual que lhes convenha, sempre de acordo com suas potencialidades anímicas.
Afirma o Espírito André Luiz, ainda na mesma obra, que essas são exceções, pois que a maioria dos seres que estagiam no planeta Terra necessitam de longo espaço de tempo e total amparo da Espiritualidade para se desvencilharem dos impositivos da forma infantil, a que se encontram mentalmente fixados.
Ademais, são em grande número aqueles que, ao desencarnarem precocemente, adentram o plano espiritual em extremo desequilíbrio, razão pela qual são recolhidos em alas isoladas, com o fito de receberem cuidados especiais.
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Crianças no alem.zip
(*) Bacharel em Direito e Administração de Empresa,
diretor da Editora EME.
Bibliografia: O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec; Na Maior das Perdas a Divina Consolação, prof. Régis de Morais; Correio do Além, Entre a Terra e o Céu, Jovens no Além, Lar Oficina Esperança e Trabalho, psicografia de Chico Xavier, Espíritos diversos.
9 comentários 7 de Maio de 2008 às 18:17 Editora EME